Depois de bilhões e bilhões de anos era chegado o grande dia… As enormes placas tectônicas fizeram sua parte e como num pedido dos Deuses os continentes foram unidos novamente…
A espera pelos últimos metros foi celebrada com grandes festas onde todos os seres homens gritavam num único coro…um grito há muito desejado, o utópico grito de união…
Finalmente as distâncias eliminariam as diferenças. Todos seriam um…
No dia seguinte, após a grande festa, foi decidido quem ocuparia o cargo de Presidente do Novo Mundo, o Presidente de todos os homens…
O então eleito foi ovacionado por grande parte da população. A outra, porém, se apegou a muitos defeitos do plano, a muitos defeitos daquele homem ali à frente…
Após inúteis discussões, a população foi dividida em duas e cada povo, cada família e cada pessoa escolheram seus lados e rumaram…uns para o Norte, outros para o Sul…
Não tardou muito para o ódio surgir e crescer. O único acordo que se firmou sem duvidas entre eles foi o da construção de um muro separando ao meio suas diferenças.
Os Presidentes eram agora chamados Reis e guiava cada qual sua metade.
Após alguns anos assim, veio a Primeira Guerra entre humanos do Norte e humanos do Sul…e a Segunda, a Terceira… e com cada guerra o ódio se alimentava.
As disputas eram tantas que cada Rei construiu para si um castelo. O do Norte na parte mais norte possível e o do Sul o inverso…As torres de seus castelos tocavam as nuvens e seus aposentos as ultrapassavam, de forma que cada Rei tinha a visão completa de seu Reino e, ao longe, como um risco negro que cortava o céu, avistavam o castelo do adversário.
Foi então chegado o grande dia…a grande Última Guerra, planificada isoladamente pelos dois Reis…
Da torre do Norte foi disparado um míssil com destino ao Sul e do Sul um disparo ao Norte…
Do alto de seus aposentos avistariam a triunfante vitória.
Foi com grande susto que perceberam que a intenção do rival era a mesma…mas já era tarde demais e como num pedido dos Deuses os dois mísseis se encontraram no meio do caminho…Do alto de seus castelos eles viram lentamente tudo sendo destruído… pessoas, casas, cidades…tudo sendo substituído por um grande abismo que corria em suas direções…
Naquele pequeno resto de tempo, ali, se entreolhando sem se verem, há quilômetros e quilômetros de distância, o mesmo arrependimento passou pela cabeça dos dois líderes… e ficaram nesse mudo compartilhamento mútuo, ambos desejando um dia terem sido únicos…
Mas isso…eles nunca saberão…
…e nem ninguém…